A
expressão inglesa “fair play” é
frequentemente utilizada no meio esportivo, em sua mídia principalmente, e tem
como significado a ligação entre a ética e o espírito esportivo, refletindo
também na capacidade de manter-se o mesmo respeito ao independentemente do resultado
e aos competidores tanto na vitória como na derrota.
Essa
expressão, também ressalta que o esporte tem que ser uma ferramenta de
princípios, ensinando valores sociais positivos. Segundo Butcher e Schneider
(2003). Estes autores identificam cinco diferentes significados para o termo:
(a) fair play como “uma cesta de virtudes”; (b) fair play como o
jogo, a diversão; (c) o esporte como disputa e fair play como uma
disputa justa; (d) fair play como respeito às regras e (e) fair play como
contrato ou acordo. Os autores defendem uma sexta concepção: fair play como
“respeito pelo jogo”, respeito ao esporte, que abrange as ideias de “respeito
pelas regras” e “respeito pelas pessoas”. Entretanto ao analisarmos nesse mesmo
sentido, uma vitória conquistada em cima de mentiras e trapaças não tem valor
ético e moral.
A busca
pelo fair play se deu origem pelo conceito Arete, que esteve presente nos jogos
olímpicos da Grécia Antiga, onde o mais importante é a prática de vida das
pessoas valorosas. Foi fortemente implantada nos jogos olímpicos modernos, e
por meio do fair play buscou-se um jogo limpo, que representasse a hombridade,
valor e a atitude gentil e cavalheira.
A
fundação dos jogos olímpico modernos pelo
Barão de Coubertin, entendia que o fair play com uma espécie de oposição a
vitória, que denegria a imagem do esporte, podendo acarretar sentimentos de
inveja, vaidade e desconfiança entre os competidores. Mas em 1976 o Comitê Olímpico Internacional entendeu que o
fair play seria a manifestação de boas ações de todos os atores sociais
envolvidos com o movimento olímpico e suas manifestações (creio que seja o
chamado “espírito olímpico”). Buscando assim o respeito ao oponente e a si
próprio, a honestidade, lealdade, respeito aos vitoriosos e derrotados,
respeito aos árbitros e organizadores, e ao público como um todo. Fair play é
um conjunto de princípios éticos e morais que fazem parte do espetáculo
esportivo.
O fair
play presuma uma formação ética e moral do atleta e dos demais envolvidos nas
competições, pois é esse espírito que fará que ninguém se utilize de outros
meios que não a própria capacidade de superar os oponentes (infelizmente é
muito comum ainda casos de doping). Também não haverá espaço para as condições
de suborno e outro meios ilícitos para obter a vitória.
No
outro lado do mundo, em especial no Japão, o fair play já estava ganhando corpo
e sendo discutido por Jigoro Kano, o criador do judô, mesmo se ter relação
alguma com o Comitê Olímpico. Pois os judocas desenvolviam saudavelmente o
corpo e a mente, com bastante disciplina, alimentando a sociedade com a moral e
removendo qualquer tipo de preconceito e contribuindo com algo valoroso para o
mundo.
Com
certeza o fair play tem papel fundamental à ética no meio esportivo. Fomentando
as inter relações com comportamentos considerados exemplares por um ser humano (principais atletas) dentro e fora da prática competitiva, esse fenômeno
acontece porque o esporte visa equilibrar a razão, a emoção e a
espiritualidade, e o fair play serve como um princípio norteador.
Segundo
o código de Ética esportivo e o Conselho da Europa e a UNESCO, ressaltam que o
fair play representa muito mais do que simples respeito as regras, pois ele representa
um modo de pensar, e não somente um comportamento.
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