terça-feira, 2 de abril de 2013

O Banheiro do Papa



O filme uruguaio que também é brasileiro e francês “O Banheiro do Papa” conta a história da pequena e humilde cidade uruguaia de Melo, a trama se passe em 1988, a população  aguarda ansiosamente  a visita do então Papa João Paulo II. Uma história verídica e muito triste, pois a imprensa local superestimou o evento da presença do pontífice e fez com que centenas de moradores na esperança de obterem maiores lucros, e minimizar a pobreza decidem a criar vários empreendimentos pela cidade, esperando assim um número significativo de visitantes principalmente brasileiros; foram investidos recursos em barracas para venda de linguiça com pão (Choripan), tortas frias, algodões doces, medalhinhas e etc.
A trama conta com o papel principal do muambeiro Beto (César Troncoso) que vive de pequenos serviços, como contrabandear de bicicleta, produtos de consumo comprados em Aceguá, Rio Grande do Sul percorrendo diariamente 60KM e enfrentando problemas de saúde e de fiscalização aduaneira da fronteira uruguaia. Beto é casado com Carmem (Virginia Méndez) uma dedicada esposa que faz economias para realizar o sonho de sua filha Silvia (Virginia Ruiz), que sonha ser jornalista e estudar em Montevidéu. Mas em casa também passa por problemas de relacionamento, por não conseguir trazer dinheiro e um sustento digno para casa.
Apesar da história em torno de Beto ser ficção a visita do Papa na cidade de Melo até os dias de hoje, é tida com a data que simboliza a maior calamidade econômica na memória dos habitantes da cidade.  Toda a comida e bebida não foram consumidas e, portanto foram doadas ou simplesmente desperdiçadas. Fato que no final do filme retrata cenas de angustia e arraso dos empreendedores da cidade.
Ao contrário do resto da população Beto pensa diferente e inova no investimento, e com uma visão totalmente empreendedora resolve brilhantemente construir um banheiro na frente do seu pátio, oferecendo serviços de higiene para os milhares de “supostos” visitantes que iriam à cidade.
Mas para que isso pudesse acontecer, Beto teve que contar muito com o apoio de sua esposa que mexeu diversas vezes em suas economias, ganhando assim o descontentamento de sua única filha, pois esse dinheiro era destinado aos seus estudos na capital.
Beto ainda sonhava em poder comprar uma moto, de onde poderia fazer inúmeras viagens e conseguiria construir o seu banheiro de maneira mais rápida possível. Ele era um empreendedor que estava atento a todos os detalhes, pois a cada banheiro público que entrava analisa os azulejos, os marcos das portas, a distribuição do vaso e da pia, as cores, realizava medidas, tudo pensando em oferecer um serviço diferenciado para os visitantes, durante a visita do “Santo Padre”. Também ensaiava com a esposa e a filha a maneira de como ia fazer o atendimento as pessoas que fossem utilizar o seu banheiro, oferecendo dois tipos de serviços, o simples e o serviço completo.
Mas a visita do Papa na cidade de Melo, foi muito mais rápida do que se pensava, e a expectativa de visitantes e lucros não foi alcançada como esperada, no entanto, Beto adquiriu o mesmo prejuízo que seus amigos, com a única diferença que não se endividou muito e nem sofreu com o tamanho desperdício ocorrido com os alimentos.
O filme é triste, mas tem várias passagens engraçadas, tendo assim diversas lições para empreendedores.


Alguns pontos que me marcaram a trama:

    - a persistência de Beto;
    - as dificuldades do protagonista como pai e como marido;
    - o sonho de Beto, de subir na vida, trocando a bicicleta por uma moto 125 usada;
    - o efeito que a imprensa causa
    - os empecilhos para um empreendedor fundo de quintal: dinheiro, informação;


Numa perspectiva social, podemos considerar que nessa época o povo uruguaio é pobre, mas cheio de esperança, porém bruto e ignorante, por vezes até infantil em suas crenças, mas inegavelmente forte, resistente, trabalhador incansável. Um paralelo que talvez exista entre o que este filme diz a respeito da ideia de popular no nosso vizinho Uruguai.

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