O
filme uruguaio que também é brasileiro e francês “O Banheiro do Papa” conta a
história da pequena e humilde cidade uruguaia de Melo, a trama se passe em 1988,
a população aguarda ansiosamente a visita do então Papa João Paulo II. Uma
história verídica e muito triste, pois a imprensa local superestimou o evento da
presença do pontífice e fez com que centenas de moradores na esperança de
obterem maiores lucros, e minimizar a pobreza decidem a criar vários
empreendimentos pela cidade, esperando assim um número significativo de visitantes
principalmente brasileiros; foram investidos recursos em barracas para venda de
linguiça com pão (Choripan), tortas frias, algodões doces, medalhinhas e etc.
A
trama conta com o papel principal do muambeiro Beto (César Troncoso) que vive de
pequenos serviços, como contrabandear de bicicleta, produtos de consumo
comprados em Aceguá, Rio Grande do Sul percorrendo diariamente 60KM e
enfrentando problemas de saúde e de fiscalização aduaneira da fronteira
uruguaia. Beto é casado com Carmem (Virginia Méndez) uma dedicada esposa que
faz economias para realizar o sonho de sua filha Silvia (Virginia Ruiz), que
sonha ser jornalista e estudar em Montevidéu. Mas em casa também passa por
problemas de relacionamento, por não conseguir trazer dinheiro e um sustento
digno para casa.
Apesar
da história em torno de Beto ser ficção a visita do Papa na cidade de Melo até os
dias de hoje, é tida com a data que simboliza a maior calamidade econômica na
memória dos habitantes da cidade. Toda a
comida e bebida não foram consumidas e, portanto foram doadas ou simplesmente
desperdiçadas. Fato que no final do filme retrata cenas de angustia e arraso
dos empreendedores da cidade.
Ao
contrário do resto da população Beto pensa diferente e inova no investimento, e
com uma visão totalmente empreendedora resolve brilhantemente construir um
banheiro na frente do seu pátio, oferecendo serviços de higiene para os
milhares de “supostos” visitantes que iriam à cidade.
Mas
para que isso pudesse acontecer, Beto teve que contar muito com o apoio de sua
esposa que mexeu diversas vezes em suas economias, ganhando assim o
descontentamento de sua única filha, pois esse dinheiro era destinado aos seus
estudos na capital.
Beto
ainda sonhava em poder comprar uma moto, de onde poderia fazer inúmeras viagens
e conseguiria construir o seu banheiro de maneira mais rápida possível. Ele era
um empreendedor que estava atento a todos os detalhes, pois a cada banheiro
público que entrava analisa os azulejos, os marcos das portas, a distribuição
do vaso e da pia, as cores, realizava medidas, tudo pensando em oferecer um
serviço diferenciado para os visitantes, durante a visita do “Santo Padre”. Também
ensaiava com a esposa e a filha a maneira de como ia fazer o atendimento as
pessoas que fossem utilizar o seu banheiro, oferecendo dois tipos de serviços,
o simples e o serviço completo.
Mas
a visita do Papa na cidade de Melo, foi muito mais rápida do que se pensava, e
a expectativa de visitantes e lucros não foi alcançada como esperada, no
entanto, Beto adquiriu o mesmo prejuízo que seus amigos, com a única diferença
que não se endividou muito e nem sofreu com o tamanho desperdício ocorrido com
os alimentos.
O
filme é triste, mas tem várias passagens engraçadas, tendo assim diversas lições
para empreendedores.
Alguns
pontos que me marcaram a trama:
- a persistência de Beto;
- as dificuldades do protagonista como pai
e como marido;
- o sonho de Beto, de subir na vida,
trocando a bicicleta por uma moto 125 usada;
- o efeito que a imprensa causa
- os empecilhos para um empreendedor fundo
de quintal: dinheiro, informação;
Numa
perspectiva social, podemos considerar que nessa época o povo uruguaio é pobre,
mas cheio de esperança, porém bruto e ignorante, por vezes até infantil em suas
crenças, mas inegavelmente forte, resistente, trabalhador incansável. Um
paralelo que talvez exista entre o que este filme diz a respeito da ideia de
popular no nosso vizinho Uruguai.
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