Nos últimos tempos, é evidenciado no Brasil e no mundo diversos casos de cárcere privado. Esses casos quando identificados pela sociedade são redirecionados através de denúncias anônimas, ocorrendo assim à intervenção policial, que se ampara de todo um aparato, de onde utilizam recursos de negociações com os agressores que estão com as vítimas em seu poder, vítminas na qual correm risco de vida, pois encontram-se com um revolver apontado para cabeça.
Segundo o negociador da Brigada Militar do estado do Rio Grande do Sul o Major Francisco Lannes Vieira de 41 anos, explica em diversas palestras e artigos relacionados ao tema de negociações policiais de risco, que casos de cárcere privado possuem três fases. Desde o inicio da ocorrência até a terceira hora a negociação está na “fase afetiva” onde o diálogo tende a ser difícil para ambas às partes, o negociador policial deve possuir habilidades de ouvinte, ao invés de tentar um diálogo mais avançado. Nesta fase o seqüestrador não tem muita consciência dos fatos e pensa em livrar – se o mais rápido possível da situação. Os policiais nessa fase devem estar atentos e buscar informações das características do agressor, para poder administrar de maneira mais segura possível na seqüência da negociação.
Passada as três primeiras horas, a negociação passa para próxima fase chamada de “Período Cognitivo”, onde os policiais já possuem grande parte das informações do agressor e já podem também dar inicio a negociação técnica, onde o agressor deve entender suas condições dentro desse cenário, e que estão sujeitas as penas da lei. O negociador começa a estruturar melhor o seu raciocínio para um melhor desfecho da ocorrência.
Se encerrando essa segunda fase, chega – se a “fase caótica”, é quando a ocorrência está a cerca de 5 horas restantes para se completar 24 horas de seqüestro. Momento tenso e de pressão do lado do negociador que deve cobrar alguma atitude do agressor referente às pautas da negociação.
Além dessas três fases de negociação existem outros recursos chamados de “progressividade de meios” podendo ser empregado ações com tiros de balas de borracha, gás e cães, após entrariam atiradores de elite e se necessário , e a invasão tática. (apenas em último caso). Segundo o Major Vieira, há pelo menos uma morte em 30% dos casos de cárcere, seja de policiais ou dos agressores.
Um dos requisitos para se tornar um negociador da polícia, segundo o Major Vieira é ser um policial com muita experiência e ter no mínimo 15 anos de instituição, estando em plenitude de seus atos, ou seja, em seus estados psíquicos, emocionais e morais com a sociedade e com a polícia, e deverá passar por um treinamento de dois meses a quinze dias, onde ficará capacitado para exercer a função de negociador dentro dos fundamentos da negociação estratégica da polícia.
Conforme análises da Psicóloga Henriette Penha Morato, uma das principais barreiras no diálogo entre negociadores e agressores é o autoritarismo, sendo que o negociador deve deixar as claras as conseqüências, mas mesmo assim deve tentar na medida do possível se colocar no lugar do agressor, sendo assim aos poucos conseguirá conquistar a confiança do agressor. E outro detalhe importante apontado pela psicóloga é o lado emocional do negociador, que deve estar controlado, não podendo expressar emoções, raiva, ansiedade e principalmente arrogância, onde o seqüestrador pode se sentir provocado, causando danos enormes às vitimas e a negociação.
Falar de negociações no ambito policial é muito delicado, muito diferente negociação comercial que lida com dinheiro quanto que a policial está lidando com vidas. A negociação policial deveria ser melhor amparada, pois mesmo com os treinamentos específicos os policias se deparam com obstáculos, como o da hierarquia que não está preparada para o momento crítico da ocorrência e acaba envolvendo-se nesses casos por questões políticas e de opiniões públicas (exemplo do Ex- Governador do Rio de Janeiro Antony Garotinho que envolveu-se no caso do Sequestrador Sandro, sequestro que ocorreu em um ônibus na cidade do Rio) , com todo o respeito a figura do Governador, mas o momento não era propício para envolvimentos políticos e sim de tensão e preocupação com a vítima e na melhor resolução da ocorrência. Também percebe-se uma falta de preparação mais psiquica do negociador, pois tendem ser muitos rígidos (talvez por estarem enraizados com as doutrinas e culturas da instituição – policias militares), não tendo à capacidade de envolver de maneira mais eficiente o agressor na negociação.
Com certeza a melhor estruturação das políticas de segurança-pública e de educação continuada na área de negociações, somando-se a melhor formação acadêmica do negociador (que deveria ser um psicólogo) e uma melhor remuneração de todos os quadros da polícia, será um passo fundamental para o avanço das técnicas policiais de negociações de risco.
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